quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Gente feliz incomoda

Já notou o quanto a felicidade e alegria incomodam a maioria das pessoas? Sempre fui uma pessoa expansiva, engraçada. O tipo de gente que acorda de bom humor e se tiver um céu azul então, desce do ônibus cantando, animada com um dia em branco pela frente para ser criado. Adoro criar. Adoro o fato de que para cada coisa, existem várias possibilidades. Já passei por muitos momentos difíceis onde muita gente teria desistido. Mas brinco que já fui tantas vezes ao fundo do poço, que comecei a decorar ele, pintar as pedras e construí uma escada. Me recuso a ficar presa. Faz poucos anos que entendi que ser assim é incomodo. Especialmente em ambiente de trabalho ou escolar. Ser feliz, resiliente e autêntica esfrega na cara dos outros o que eles não são, o que eles não têm. E por mais que não tenha um motivo claro, vc passa a ser a vilã, a esquisita, a que não faz parte. A que se acha mais feliz, mais inteligente, mais rica, mais bem resolvida. Como assim vc ousa chegar no trabalho de bom humor? Não tem problemas com o marido? Não está com problemas financeiros? Tem ideias diferentes e não tem medo de dizer? Sexualmente é bem resolvida? Ridícula! Nossa sociedade é praticamente dogmática em relação a padrões. Tem que ser magro, bonito, bem sucedido, falar as coisas certas, rir das coisas certas, gostar das coisas certas, trabalhar com as coisas certas pq... Pq sim! E o mais perigoso: QUALQUER COISA DIFERENTE DISSO PRECISA SER CORRIGIDA. "Voce precisa esconder o seu sucesso", diz a sabedoria popular. "O que ninguém sabe, ninguém estraga". Mas aí a gente vive refém da toxicidade dos outros. E eu não nasci para isso! Não nasci para perpetuar um estado de medo e inveja, de me acadelar quando tenho certeza. Se queremos mudança, temos que arregaçar as mangas e começar por nós mesmos. Então eu abro bem o peito e assumo minha felicidade com a finalidade de contaminar os outros. Finco os pés no chão e brilho solar, enfrentado pessimistas, invejosos e idiotas. E ainda faço graça, bem desaforada. Me cerco de gente boa, amo minha família, enfeito minha casa, presto atenção nas plantas pelo caminho, tomo bons drinks numa terça-feira, pergunto mais "pq não" do que "por que", acendo um incenso e espero pelo melhor. Assumo riscos, testo receitas e sonho. Sonho alto, sonho pequeno, sonho acordada e dormindo. E tenho dias ruins onde me fecho e espero passar, feito a casa que enfrenta uma tempestade passageira. Se nada disso der certo e os invejosos e ruins ainda vencerem, paciência. Eu fui feliz tentando e, como dizia Quintana,: "Ah, nem queiras saber o quanto deves à ingrata criatura... A thing of beauty is a joy for ever - disse, há cento e muitos anos, um poeta inglês que não conseguiu morrer."

terça-feira, 18 de outubro de 2022

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Alice gostava da atmosfera daquela casa antiga com cheiro de madeira, de móveis torneados, da cera das intermináveis tábuas do chão, de incenso e do jardim com suas folhagens diversas: rosas, copos de leite, jasmim, arruda, guiné e melissas. Nas noites mais quentes, quando os mosquitos permitiam, ela gostava de abrir as janelas, levar a poltrona para perto e tomar alguma coisa gelada. Fechava os olhos e esperava que os perfumes entrassem pelas narinas, separando cada um deles mentalmente num jogo íntimo. Era uma forma de meditação peculiar e pessoal que ela desenvolveu há alguns meses desde que se mudou para lá.
Mas as vezes, no meio desse momento de paz, onde ela relaxava quase por completo com as pernas esticadas e apoiadas no parapeito da janela, na esquina do cérebro algo espreitava. Algo sinistro, intenso e urgente, como um cheiro ruim que adentra nossa narina sem pedir licença, sem nos deixar fugir.
Ela era arrancada daquele lugar aconchegante, abrindo os olhos instintivamente, fixando o olhar no teto, como se ficasse concentrada no que eles traziam. E eles traziam de tudo um pouco: dor, raiva, medo, tristeza, ódio e prazer. Prazer em imaginar que em breve o sangue espalhado no chão pagaria uma dívida grande demais para ser paga com qualquer outra coisa menor do que isso.

terça-feira, 2 de março de 2010

stress

O stress de cada dia

Quem nunca usou a palavra stress para designar raiva, nervosismo, cansaço ou angústia, não pertence ao mundo atual.

A doença, típica de uma era de modernização constante onde a medida de tempo parece cada vez mais menor, possui sintomas amplos e facilmente confundidos com diversas doenças. Estes sintomas vão desde irritação e dores de cabeça à depressão e aumento de pressão sanguínea.

Pesquisas feitas pela universidade americana Yale University, afirmam até que o stress pode contribuir para o surgimento de câncer. Teorias à parte, ele pode ser evitado com a reavaliação do dia-à-dia e consequentemente com a mudança de hábitos como tabagismo, alimentação, consumo de álcool e horas excessivas de trabalho.

De acordo com a Revista Saúde!, um exercício simples de respiração pode ajudar no controle do stress. "Coloque a mão na barriga e inspire, expandindo-a e contando até quatro. Após segurar um pouco o ar, solte-o muito lentamente, contando até seis. Isso fará com que o seu coração bata num ritmo mais calmo. É bem provável que você fique relaxado e tenha uma leve sonolência"
Cabe ao médico e ao paciente desenvolverem uma comunicação franca e detalhada afim de chegarem ao diagnóstico correto e assim definir o tratamento adequado, devolvendo a qualidade de vida perdida com o stress.